A importância da esterilização dos materiais no dentista: o que garante a sua segurança
Um corante que brilha sob luz ultravioleta mostrou onde o spray do motor do dentista vai parar.
Por que a esterilização de materiais é tão importante no consultório odontológico? Porque a boca é cheia de bactérias e vírus, e quase todo instrumento toca saliva ou sangue. A esterilização de materiais no dentista mata todos eles, até os mais difíceis de matar. Assim, nada passa de um paciente para outro pelo instrumento.
Pense numa tinta invisível. Em 2022, pesquisadores britânicos usaram uma assim, a fluoresceína, para ver aonde vai a névoa do atendimento. Ela some na luz comum e brilha na ultravioleta, como roupa branca numa festa de luz negra.
Foi colocada na água do equipamento, e um dentista usou o motorzinho num boneco de treino. No paciente de verdade, essa névoa se mistura com a saliva.
Na luz normal, a sala parecia limpa. Na ultravioleta, a tinta apareceu no peito do boneco, onde fica o babador, nos instrumentos, no lixo, na cadeira e no chão. Essa sujeira não aparece a olho nu. Por isso existem as regras de limpeza e proteção do consultório, a chamada biossegurança.
O que a ciência mostra sobre a dispersão de aerossóis no consultório
Aerossol é a névoa de gotinhas minúsculas que o motor do dentista levanta, como o spray de um borrifador. Ela carrega água do equipamento, saliva e, às vezes, sangue.
O estudo, publicado no British Dental Journal, não mediu distâncias: só mostrou em fotos onde as gotinhas pousam. Algumas manchas na cadeira tinham forma de esfregada: mãos e instrumentos sujos também espalham contaminação. Outros estudos mostram que a contaminação é maior a menos de um metro da boca e cai nos primeiros minutos.
Uma pesquisa de 2021 mostrou que a maior parte dos micróbios da névoa vem da água do equipamento, não da saliva de outras pessoas. São os mesmos de qualquer água parada em mangueira. A ANVISA exige água potável no equipamento e mangueiras esvaziadas no fim do dia.
Esterilização x desinfecção: qual é a diferença
Esterilizar é matar todos os germes, inclusive os esporos, que são as sementes mais duras de bactéria. No consultório, isso é feito com vapor muito quente, dentro da autoclave.
Desinfetar é reduzir os micróbios de uma superfície, sem garantir que sumiram todos. É o que se faz na cadeira, na bancada e no refletor, com álcool 70.
Limpar é tirar a sujeira que dá para ver, com água, sabão e escova. Vem antes das outras duas.
O que fura, corta ou toca sangue, como brocas e limas, é esterilizado. O que toca a boca sem furar, como moldeira e afastador, vai para a autoclave também.
O que só toca a pele, como a cadeira, é limpo e desinfetado. O de uso único, como agulha e sugador, vai para o lixo.
Como funciona o processo de esterilização de instrumentos
A autoclave é uma panela de pressão de hospital. Vamos seguir uma pinça, que a dentista usa em quase todo atendimento.
o atendimento
Pré-limpeza
A sujeira visível da pinça é tirada na hora. O motorzinho também é ligado sem broca por alguns segundos, para a água das mangueiras sair.
A etapa mais importante
A pinça é escovada com detergente próprio. Sem limpeza não há esterilização, porque a sujeira protege as bactérias do calor.
e inspeção
Olhar com lente de aumento
Seca, a pinça é conferida com lente de aumento. O que está gasto ou enferrujado é descartado.
Envelope fechado
A pinça vai para um envelope de papel grau cirúrgico, selado a quente. Esse papel deixa o vapor entrar e depois não deixa nada entrar. A fita do lado de fora muda de cor no calor: ela só mostra que o pacote já passou pela máquina. A prova de verdade vem na etapa 6.
Vapor sob pressão
O vapor passa de 120 graus e fica assim de 4 a 30 minutos, conforme a temperatura e o aparelho. A estufa, um forno de ar quente, e a caixinha de luz roxa não esterilizam: a ANVISA proíbe as duas.
Prova de que funcionou
Cada fornada da autoclave leva uma tira química que só muda de cor se tempo, calor e vapor foram certos. Uma vez por semana entra o indicador biológico. É um teste com bactérias de propósito, para provar que a máquina matou até a mais resistente.
Armário seco, longe da pia
O envelope fechado espera num armário seco e sem sol. Se molhar, rasgar ou amassar, volta para o começo.
Equipamentos de proteção e barreiras usados durante o atendimento
Os EPIs, os equipamentos de proteção, protegem paciente e equipe. As barreiras impedem que a névoa chegue onde não deve.
Máscara, gorro, avental e óculos
A máscara segura as gotinhas na entrada e na saída e é trocada a cada paciente. Óculos, gorro e avental cobrem o resto, para a névoa não ficar na roupa nem no cabelo.
Luvas
Um par novo para cada paciente, para as mãos não levarem nada de uma boca para outra.
Barreiras descartáveis
Plásticos cobrem refletor, alças, botões e cadeira. Vão para o lixo a cada atendimento.
Sugador de alta potência
Um canudo largo que puxa a névoa perto da boca. Reduz muito o que escapa, mas não zera.
Isolamento absoluto
Um lençol de borracha, como uma capa de chuva, que deixa só o dente aparecendo. Menos saliva, menos contaminação no respingo.
Bochecho antes do procedimento
Bochecho com enxaguante antisséptico antes de começar. Pode reduzir as bactérias que vão para o ar. Nenhuma medida sozinha resolve tudo. Juntas, elas somam.
Perguntar como o consultório esteriliza e testa a autoclave é normal, e todo dentista sabe responder.
Como a iClinic segue esses protocolos
Na iClinic Individual Oral Care, a rotina segue as normas da ANVISA e do CFO. Os equipamentos são esterilizados todos os dias.
Os pacientes são marcados com uma diferença grande de tempo entre um e outro. Isso permite limpar o consultório e os equipamentos com calma.
O consultório também tem um filtro de ar, comprado na pandemia para reter o vírus da COVID-19. Ele puxa o ar da sala e prende as partículas minúsculas, inclusive as da névoa do atendimento.
A equipe usa máscara, luvas, óculos e barreiras descartáveis. Todo tratamento de canal é feito com isolamento absoluto, como manda a norma.
O pacote fechado de instrumentos é aberto diante do paciente, no início do atendimento.
Perguntas frequentes
Como os instrumentos odontológicos são esterilizados?
O que é aerossol odontológico e por que ele é um risco?
Com que frequência os equipamentos do consultório devem ser desinfetados?
Todo material usado no dentista é descartável?
Como saber se um consultório segue protocolos de biossegurança adequados?
A contaminação por saliva e aerossóis pode transmitir doenças?
Fontes e referências
- Newsom et al. Detection of dental fomites using topical fluorescein. British Dental Journal, 2022
- Allison et al. Evaluating aerosol and splatter following dental procedures. Journal of Oral Rehabilitation, 2021
- Kumbargere Nagraj et al. Interventions to reduce contaminated aerosols produced during dental procedures. Cochrane, 2020
- Meethil et al. Sources of SARS-CoV-2 and Other Microorganisms in Dental Aerosols. Journal of Dental Research, 2021
- Cleveland et al. Transmission of blood-borne pathogens in US dental health care settings. JADA, 2016
- ANVISA. Resolução RDC nº 1.002, de 15 de dezembro de 2025
- ANVISA. Serviços Odontológicos: Prevenção e Controle de Riscos, 2006
- Ministério do Trabalho. NR-32, Segurança e Saúde no Trabalho em Serviços de Saúde
- CDC. Hepatitis B Basics
Para ver onde tudo isso acontece, conheça a estrutura da iClinic.
