Esterilização de materiais no dentista: o que protege você



Esterilização de materiais no dentista: o que protege você

Biossegurança · Esterilização

A importância da esterilização dos materiais no dentista: o que garante a sua segurança

Um corante que brilha sob luz ultravioleta mostrou onde o spray do motor do dentista vai parar.

📅 Atualizado em outubro de 2026
⏱ Leitura: 6 min
✍️ Revisado por especialista em Endodontia

Por que a esterilização de materiais é tão importante no consultório odontológico? Porque a boca é cheia de bactérias e vírus, e quase todo instrumento toca saliva ou sangue. A esterilização de materiais no dentista mata todos eles, até os mais difíceis de matar. Assim, nada passa de um paciente para outro pelo instrumento.

Dra. Lilian Noberto, cirurgiã-dentista especialista em Endodontia

Dra. Lilian Noberto

Especialista em Endodontia e em Pacientes com Necessidades Especiais pela USP. CRO-SP 64.223.

ESPECIALISTA EM ENDODONTIA

Pense numa tinta invisível. Em 2022, pesquisadores britânicos usaram uma assim, a fluoresceína, para ver aonde vai a névoa do atendimento. Ela some na luz comum e brilha na ultravioleta, como roupa branca numa festa de luz negra.

Foi colocada na água do equipamento, e um dentista usou o motorzinho num boneco de treino. No paciente de verdade, essa névoa se mistura com a saliva.

Na luz normal, a sala parecia limpa. Na ultravioleta, a tinta apareceu no peito do boneco, onde fica o babador, nos instrumentos, no lixo, na cadeira e no chão. Essa sujeira não aparece a olho nu. Por isso existem as regras de limpeza e proteção do consultório, a chamada biossegurança.

O que a ciência mostra sobre a dispersão de aerossóis no consultório

Aerossol é a névoa de gotinhas minúsculas que o motor do dentista levanta, como o spray de um borrifador. Ela carrega água do equipamento, saliva e, às vezes, sangue.

O estudo, publicado no British Dental Journal, não mediu distâncias: só mostrou em fotos onde as gotinhas pousam. Algumas manchas na cadeira tinham forma de esfregada: mãos e instrumentos sujos também espalham contaminação. Outros estudos mostram que a contaminação é maior a menos de um metro da boca e cai nos primeiros minutos.

Uma informação que tranquiliza

Uma pesquisa de 2021 mostrou que a maior parte dos micróbios da névoa vem da água do equipamento, não da saliva de outras pessoas. São os mesmos de qualquer água parada em mangueira. A ANVISA exige água potável no equipamento e mangueiras esvaziadas no fim do dia.

Esterilização x desinfecção: qual é a diferença

Esterilizar é matar todos os germes, inclusive os esporos, que são as sementes mais duras de bactéria. No consultório, isso é feito com vapor muito quente, dentro da autoclave.

Desinfetar é reduzir os micróbios de uma superfície, sem garantir que sumiram todos. É o que se faz na cadeira, na bancada e no refletor, com álcool 70.

Limpar é tirar a sujeira que dá para ver, com água, sabão e escova. Vem antes das outras duas.

O que fura, corta ou toca sangue, como brocas e limas, é esterilizado. O que toca a boca sem furar, como moldeira e afastador, vai para a autoclave também.

O que só toca a pele, como a cadeira, é limpo e desinfetado. O de uso único, como agulha e sugador, vai para o lixo.

Como funciona o processo de esterilização de instrumentos

A autoclave é uma panela de pressão de hospital. Vamos seguir uma pinça, que a dentista usa em quase todo atendimento.

1. Logo após
o atendimento

Pré-limpeza

A sujeira visível da pinça é tirada na hora. O motorzinho também é ligado sem broca por alguns segundos, para a água das mangueiras sair.

2. Lavagem

A etapa mais importante

A pinça é escovada com detergente próprio. Sem limpeza não há esterilização, porque a sujeira protege as bactérias do calor.

3. Secagem
e inspeção

Olhar com lente de aumento

Seca, a pinça é conferida com lente de aumento. O que está gasto ou enferrujado é descartado.

4. Embalagem

Envelope fechado

A pinça vai para um envelope de papel grau cirúrgico, selado a quente. Esse papel deixa o vapor entrar e depois não deixa nada entrar. A fita do lado de fora muda de cor no calor: ela só mostra que o pacote já passou pela máquina. A prova de verdade vem na etapa 6.

5. Autoclave

Vapor sob pressão

O vapor passa de 120 graus e fica assim de 4 a 30 minutos, conforme a temperatura e o aparelho. A estufa, um forno de ar quente, e a caixinha de luz roxa não esterilizam: a ANVISA proíbe as duas.

6. Teste

Prova de que funcionou

Cada fornada da autoclave leva uma tira química que só muda de cor se tempo, calor e vapor foram certos. Uma vez por semana entra o indicador biológico. É um teste com bactérias de propósito, para provar que a máquina matou até a mais resistente.

7. Guarda

Armário seco, longe da pia

O envelope fechado espera num armário seco e sem sol. Se molhar, rasgar ou amassar, volta para o começo.

Equipamentos de proteção e barreiras usados durante o atendimento

Os EPIs, os equipamentos de proteção, protegem paciente e equipe. As barreiras impedem que a névoa chegue onde não deve.

😷

Máscara, gorro, avental e óculos

A máscara segura as gotinhas na entrada e na saída e é trocada a cada paciente. Óculos, gorro e avental cobrem o resto, para a névoa não ficar na roupa nem no cabelo.

🧤

Luvas

Um par novo para cada paciente, para as mãos não levarem nada de uma boca para outra.

🧻

Barreiras descartáveis

Plásticos cobrem refletor, alças, botões e cadeira. Vão para o lixo a cada atendimento.

🌬️

Sugador de alta potência

Um canudo largo que puxa a névoa perto da boca. Reduz muito o que escapa, mas não zera.

🛡️

Isolamento absoluto

Um lençol de borracha, como uma capa de chuva, que deixa só o dente aparecendo. Menos saliva, menos contaminação no respingo.

💧

Bochecho antes do procedimento

Bochecho com enxaguante antisséptico antes de começar. Pode reduzir as bactérias que vão para o ar. Nenhuma medida sozinha resolve tudo. Juntas, elas somam.

Perguntar como o consultório esteriliza e testa a autoclave é normal, e todo dentista sabe responder.

Como a iClinic segue esses protocolos

Na iClinic Individual Oral Care, a rotina segue as normas da ANVISA e do CFO. Os equipamentos são esterilizados todos os dias.

Os pacientes são marcados com uma diferença grande de tempo entre um e outro. Isso permite limpar o consultório e os equipamentos com calma.

O consultório também tem um filtro de ar, comprado na pandemia para reter o vírus da COVID-19. Ele puxa o ar da sala e prende as partículas minúsculas, inclusive as da névoa do atendimento.

A equipe usa máscara, luvas, óculos e barreiras descartáveis. Todo tratamento de canal é feito com isolamento absoluto, como manda a norma.

O pacote fechado de instrumentos é aberto diante do paciente, no início do atendimento.

Perguntas frequentes

?
Como os instrumentos odontológicos são esterilizados?
São lavados, secos e conferidos. Depois vão para envelopes de papel grau cirúrgico e entram na autoclave, com vapor muito quente. Um teste químico a cada fornada e um biológico por semana provam que funcionou.
?
O que é aerossol odontológico e por que ele é um risco?
É a névoa de gotinhas minúsculas que o motor e o aparelho de tirar tártaro levantam. Ela carrega água, saliva e, às vezes, sangue, e pode chegar a mais de um metro. Sugador forte, isolamento absoluto e bochecho prévio diminuem a névoa e o que ela carrega, mas nenhum deles a elimina por completo.
?
Com que frequência os equipamentos do consultório devem ser desinfetados?
A cada paciente. Cadeira, refletor, bancada e botões recebem limpeza e álcool 70 entre atendimentos, e as barreiras de plástico são trocadas. Os instrumentos que tocaram a boca são esterilizados antes de cada uso.
?
Todo material usado no dentista é descartável?
Não. Agulhas, tubetes de anestesia, lâminas de bisturi, sugadores, copos, babadores, luvas e máscaras são de uso único. Instrumentos de metal, como pinças e espelhos, passam por limpeza e esterilização a cada uso. Brocas e limas que o fabricante marca como uso único vão para o lixo depois de um paciente.
?
Como saber se um consultório segue protocolos de biossegurança adequados?
Os instrumentos saem de envelopes fechados, abertos na sua frente. A equipe troca luvas e máscara a cada paciente. Há plásticos na cadeira e no refletor. Existe intervalo entre pacientes.
?
A contaminação por saliva e aerossóis pode transmitir doenças?
O risco existe, é baixo e é controlável. Para o paciente, o risco vem de instrumento que não foi esterilizado, e é isso que o protocolo impede. A hepatite B passa pelo sangue, não por tosse ou espirro. A lei obriga o consultório a oferecer a vacina para toda a equipe. Os poucos casos conhecidos em consultórios vieram de falhas de protocolo.

Para ver onde tudo isso acontece, conheça a estrutura da iClinic.

Aviso: este texto informa e não substitui a consulta com o dentista.
Última atualização: outubro de 2026

Mapa Site